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VIDA CORRIDA

Escrito por: EBVB

Marineide dos Santos Silva, 57, fundadora da ONG Vida Corrida, provou que o esporte é um instrumento eficaz para saúde física e principalmente mental, elevando a autoestima das crianças e de suas mães também. One2030 Vida Corrida

O Vida Corrida começou em 1999, de maneira informal, com um grupo de cinco mulheres atraídas pelas voltas que Neide dava pelas ruas do bairro do Capão Redondo, periferia de São Paulo, durante seu treinamento para competições como a São Silvestre.

Dez anos depois, Neide inscreveu o Vida Corrida em um concurso da Nike e levou cinco mil reais, além de uma doação para materiais esportivos. Os primeiros aparelhos, ela havia comprado com o próprio dinheiro, montando pesinhos com latas de molho de tomate cheias de cimento.

Atualmente, o grupo do Vida Corrida conta com 325 inscritos, sendo 87% mulheres e meninas entre 4 e 80 anos. Com o lema “mudança social com os pés e o coração”, as ações se expandiram para campanhas de doação de sangue e alimentos, mutirões de limpeza e formação de uma biblioteca.

 

LIÇÃO DE VIDA

Neide nasceu em Porto Seguro, na Bahia. Aos 6 anos foi entregue para adoção e, em 1969, veio com os pais adotivos para São Paulo, que a “repassaram” para outras duas famílias.

Desde então, se fixaram no bairro de Capão Redondo, onde ela superou a violência e a pobreza antes de se tornar maratonista amadora, estreando nas pistas aos 14 anos e, de cara, conquistando o melhor tempo entre todas as meninas que participavam de uma prova de revezamento 4 x 100.

Ficou viúva em 1980, quando seu primeiro marido foi morto por PMs com um tiro a queima roupa. Ficou sozinha para criar Marcos que, em 2000, faleceu também aos 21 anos após ser assaltado e assassinado no próprio bairro.

A nossa “ForrestNeide” comentou, certa vez, durante o 21º Premio Claudia – Trabalho Social: “O catalisador da mudança de minha vida foi quando voltei do cemitério, tinha acabado de enterrar meu filho. Já havia enterrado meu marido e decidi que queria reescrever minha história”.

Casada novamente e mãe de dois filhos (Linda e Marcelo), Neide acordava de madrugada para correr e treinar as cinco mulheres que a acompanhavam, voltava para casa, levava os filhos para escola e ia trabalhar.

Não demorou muito tempo para aparecerem mais mulheres e, depois, à pedido do filho assassinado por um menino, apareceram as crianças. E a Vida Corrida de Neide, leva hoje, o esporte a dezenas de jovens, alguns até ingressaram em universidades e outros já sonham em se tornar atletas profissionais.

O ODS 3, dentre outras metas, prevê reforçar a capacidade de todos os países, em especial os em desenvolvimento, para o alerta precoce e a redução de riscos de saúde. Com o lema “mudança social com os pés e o coração” a ONG Vida Corrida mostra que o maior investimento não é o financeiro e sim o humano.