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UMA CONTA GORDA

Escrito por: EBVB

A obesidade mundial custará US$ 1,2 Trilhão em 2025, 46% deste custo está na pança dos EUA

Obesidade one2030

O custo com o tratamento para doenças causadas pela obesidade deverá superar, em todo o mundo, US$ 1,2 trilhão por ano, a partir de 2025, caso nada seja feito para frear tal epidemia, segundo novas estimativas de especialistas. 

 

A obesidade e o tabagismo são os dois principais impulsionadores do crescente número de cânceres, ataques cardíacos, acidentes vasculares cerebrais e diabetes em todo o mundo, agrupados oficialmente como doenças não transmissíveis. Eles são os maiores assassinos do mundo moderno.

Os países têm observado um aumento bastante acentuado nos custos para tratamentos ligados a estas doenças, os quais não serão acessíveis para a maioria das populações.

Nos próximos oito anos, segundo os especialistas, os EUA deverão gastar US$ 4,2 trilhões no tratamento contra doenças relacionadas à obesidade; a Alemanha deverá gastar US$ 390 bilhões, o Brasil US$ 251 bilhões e o Reino Unido US$ 237 bilhões. Os valores representam a necessidade urgente de que esses países se mobilizem para tentar evitar o rombo no orçamento deste setor.

Os novos números provêm da Federação Mundial de Obesidade (WOF), que diz que haverá 2,7 bilhões de adultos obesos até 2025, muitos dos quais irão precisar de cuidados médicos. Isso significa que um terço da população global apresentará excesso de peso ou será obeso.

As estimativas da WOF mostram que a obesidade adulta continua sua escalada constante. Em 2014, 34% da população adulta norte americana era considerada obesa. Em 2025, prevê-se que seja de 41%. No Reino Unido, o aumento será de 27% para 34% dos adultos, no mesmo período. E ainda: Egito, de 31% para 37%; Austrália e México, de 28% para 34%.

“Os custos médicos anuais com o tratamento das consequências da obesidade, como diabetes e doenças cardíacas, são realmente alarmantes”, afirma o professor e presidente da Federação, Ian Caterson. “A vigilância contínua da WOF mostrou que obesidade aumentou dramaticamente ao longo dos últimos 10 anos e, com cerca de 177 milhões de adultos sofrendo de obesidade grave até 2025, está claro que os governos precisam agir agora para reduzir esse fardo nas suas economias nacionais”.

Com base em sua nova análise, realizada no último dia 11 de outubro, o Dia Mundial do Combate à Obesidade, a federação constatou que, pela primeira vez, custeia não apenas câncer, diabetes e doenças cardíacas, mas outros danos, tais como: danos nas articulações, que podem resultar em substituições do quadril e joelho, e problemas de coluna e dores nas costas.

Nos países em desenvolvimento os sistemas de saúde dificilmente conseguem lidar com partos e doenças infecciosas, e nem têm dinheiro (muito menos funcionários) para lidar com epidemias de doenças crônicas, como câncer e doenças cardíacas, que estão sendo alimentadas pela obesidade.

Países do Oriente Médio e da América Latina sofreram enorme impacto por conta do aumento da obesidade entre crianças e adultos, nos últimos anos. A tendência é de que nestes países os serviços de saúde se tornem altamente dispendiosos, embora os custos crescentes sejam um problema para todos os países do mundo.

Os encargos serão altos para o Estado, a população e para as seguradoras de saúde, deixando no ar a seguinte questão: quão alto pode ser um prêmio de seguro?

Johanna Ralston, CEO da Federação, acredita que impostos sobre bebidas açucaradas sejam uma medida importante que os governos podem tomar. Para ela, o foco existente atualmente em torno das bebidas açucaradas, como refrigerantes, é fantástico. “Penso que, assim como com o tabaco, queremos encontrar uma solução que seja tangível e que os governos possam torná-las mensuráveis. Mas ainda assim não é suficiente.”

Os especialistas dizem que gastar mais no tratamento e na prevenção da obesidade salvará países de muitos milhões, no longo prazo. A cirurgia bariátrica, por exemplo, que reduz o tamanho do estômago, é muito efetiva também na redução do apetite e os estudos demonstraram que ela pode reverter o diabetes tipo 2, melhorando drasticamente as chances das pessoas de uma vida saudável.

Mas, infelizmente, ainda não há tratamento suficiente disponível. E, segundo Ralston, isto se deve ao fato de que o consenso de que a obesidade é uma doença só está emergindo realmente agora.

FONTE: https://www.theguardian.com/society/2017/oct/10/treating-obesity-related-illness-will-cost-12tn-a-year-from-2025-experts-warn#img-1

TRADUÇÃO E EDIÇÃO EM PORTUGUÊS: EBVB