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QUALIDADE TOTAL SOB DIFERENTES ASPECTOS

Escrito por: EBVB

3M One2030A maioria de vocês, assim como eu, conhece a 3M apenas por seus produtos que visam soluções para a prevenção de infecções, sejam na pele ou em centros cirúrgicos. No entanto, a multinacional norte-americana atua também na prevenção em acidentes de trânsito.

E muitos podem se questionar sobre a relação do ODS 3 – Saúde e Bem-Estar com acidentes em ruas e rodovias. Pois é, como bem colocou a palestrante convidada Paula Helena Suárez Abreu – responsável pela área de Segurança no Trânsito e pelas Relações Governamentais da 3M -, o ONE2030 engloba grupos heterogêneos e aborda diversos temas, mas convergindo sempre para o mesmo objetivo: qualidade e proteção à vida sob todos os aspectos.

O que poucos sabem, porém, é que, em todos os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, a ONU inclui um leque abrangente e de suma importância para o tema que cada um deles aborda, como é o caso do ODS 3, que inclui além de questões ligadas à saúde propriamente dita, demais que se relacionam indiretamente a isso e ao bem-estar de cada pessoa, como por exemplo, uso de drogas entre jovens e adolescentes, mortalidade materna e neonatal, alimentação e sustentabilidade e, claro, acidentes de trânsito.

VOCÊ SE MOBILIZA?
A OMS estipula que cada advento cuja mortalidade seja superior a 10 mortes por 1.000 habitantes deve ser considerado um caso de saúde publica. No Brasil, o índice de mortalidade no trânsito equivale ao dobro deste valor, sendo esta a segunda maior causa de violência externa (a primeira, é homicídios). Vivemos, portanto, e isso não é novidade para ninguém, num país violento.

O programa 3M Mobiliza tem por objetivo conscientizar a sociedade em função da importância do tráfego. No entanto, o que vemos e sentimos, atualmente, pode ser considerado como uma exacerbação do individualismo. Estamos acostumados a viver no próprio mundo e, raramente nos preocupamos com o outro, seja de forma prestativa, seja de forma preventiva. Só que no trânsito não dá para ser assim!

Não dá, simplesmente, para não imaginar que o pedestre não merece respeito na faixa, mas também não dá para não imaginar que ao parar na faixa, você deve se perguntar se o carro que vem logo atrás vai parar também ou, simplesmente, encher a sua traseira.

Não dá para não ser gentil, assim como não dá para não prever que o carro da frente pode, a qualquer momento, brecar ou fazer uma conversão sem sinalizar. O trânsito afeta a todos! Somos todos protagonistas, e a verdade é que cada um de nós pode fazer a diferença.

Objetivamente, o projeto 3M Mobiliza trabalha a conscientização dos motoristas por meio da produção de sinalizações de alta tecnologia para vias e estradas. Sob o mote “no trânsito, o que importa é a vida. A 3M Mobiliza, e você?”, a companhia acredita que o futuro é agora e que os carros projetados atualmente são o maior exemplo disso.

Entretanto, para que os carros dos Jetsons, como brinca Paula, possam existir, eles devem “conversar” com o trânsito caótico dos tempos atuais e para isso, é preciso conversar também com infraestrutura na malha rodoviária e viária, o que implica em uma série de modificações bastante profundas, tanto em pavimentação quanto em sinalizações.

Para Paula, caminhamos para um futuro em que os automóveis se converterão patrimônios públicos e comum, e ela explica: “Será como as bicicletas de aluguel, você irá até o ponto mais próximo, passará seu cartão de crédito, fará o que tem que ser feito e vai dirigir até o local do estacionamento mais próximo para deixar o carro para um terceiro”.

Imaginar algo assim, tão vanguardista, fez com que a 3M se voltasse para uma meta ambiciosa e criasse, em 2011, o projeto “Década de Segurança no Trânsito”, que deverá se estender até 2020, com o objetivo altamente factível, segundo Paula,  de reduzir em 50% as mortes causadas por acidentes no trânsito.

“Embora a educação seja algo demorado, é preciso persistir. Principalmente porque o  brasileiro no volante se transforma e vira bicho”, afirma ela.

BANALIZAÇÃO DA MORTE
A fiscalização do poder público conta com várias forças-tarefas, como a Lei Seca, a proibição de falar ao celular enquanto se dirige, a obrigatoriedade do uso de cinto de segurança, do uso de cadeirinhas para crianças menores de 13 kg, do uso do farol inclusive durante o dia e principalmente nas estradas. Enfim, várias são as leis impostas aos motoristas e, para o desrespeito a cada uma delas, a multa está cada vez mais ardida nos nossos bolsos.

Mas o fato é que o código de trânsito brasileiro tem 20 anos, algumas leis pegam, outras não e o que vemos é que as mortes por acidentes são cada vez mais recorrentes e cada vez mais banalizadas e, talvez, por isso, possamos concluir que a morte, nestes casos, é consequência de pouca ou nenhuma educação e de um descaso irremediável.

O Brasil tem um número para lá de expressivo e assustador neste quesito: em torno de 43 a 45 mil pessoas morrem por ano em acidentes de trânsito, ou o equivalente a 15 acidentes das Torres Gêmeas; 1,5 aviões da Chapecoense, por dia; ou 1 acidente da Boate Kiss, a cada dois dias! Assustou, não foi? Mas é a realidade nua e crua, ou, sem consciência, como você preferir.

E os custos que elas causam para os países são altos. No mundo, esse valor representa entre 1 a 3% do PIB de cada país. No Brasil, gastamos uma média de 72 mil reais/acidente/ano. E se houver morte, o número pode ser nove vezes maior, ou seja, 646 mil reais/acidente/ano.

Quase a metade equivale a custos em perda de produção para o Brasil (41,2%), já que o ecossistema familiar sofre um prejuízo grande, uma vez que afeta diretamente as finanças familiares, e consequentemente, as do país também.

Outros índices de custos medidos são: seguridade social (22,8%) e hospitalares (18,8%), sendo que aqui, vai mais um dado alarmante: de cada 10 leitos de UTIs brasileiras, em média 6 são de acidentados no trânsito, e desses, 4 são motociclistas.
Fonte: IPEA 2015

 

EDUCAÇÃO E SINALIZAÇÃO SÃO FUNDAMENTAIS
Será que é preciso investir, então, em mais hospitais ou na educação do país? Será que, como diziam nossos avós, aqui também não vale a máxima de que prevenir é melhor que remediar?

No que diz respeito aos investimentos que podem ser feitos em prevenção de acidentes, a relação sustentável é, sem dúvida, do tipo “WIN-WIN”, algo que pode ser explicado como sendo uma situação ou resultado vantajoso para todos os envolvidos e para todos os lados.

Mas no Brasil…. bom, o Brasil é realmente atípico. Estudos da USP comprovam que “os resultados econométricos demonstram que uma melhoria na qualidade da infraestrutura rodoviária leva a um aumento do número de acidentes e não à sua redução, o que pode ser explicado pelo fato de que nas rodovias melhores o nível de atenção do motorista é menor, aumentando a velocidade média da pista e o fluxo de veículos”.

E olha que no Brasil você pode fazer uma viagem no tempo, do tipo de volta para o passado, já que o número de rodovias pavimentadas é de apenas 12% de um total de quase 1,8 milhão km em extensão rodoviária!

De qualquer forma, e por isso mesmo, o estudo recomenda que os recursos destinados para a infraestrutura rodoviária sejam acompanhados de gastos públicos bem superiores para as melhorias na sinalização, bem como campanhas de educação no trânsito, o que faz do Brasil, apesar de tudo, um caminhão de oportunidades.