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O CONHECIMENTO ADQUIRE VALOR SOMENTE QUANDO APLICADO

Escrito por: EBVB

Level up+one2030Ovidio Lopes da Cruz Netto, 37 anos, 11 à frente da Coordenação do Curso de Ciências da Computação da Uninove e idealizador do aplicativo Level Up+, trouxe o olhar da tecnologia para a Segunda Jornada do ONE2030 com o seguinte questionamento: O que é preciso fazer ou trazer ao aluno para que ele use a tecnologia a seu favor?

A tecnologia traz soluções para vários segmentos e problemas do mundo moderno. E quase que normalmente tais soluções são um advento do mundo acadêmico. É possível afirmar que avanços dados na forma como praticamos comércio hoje em dia ou como dispomos a logística de distribuição daquilo que comercializamos contam com um olhar atento de um programador acadêmico de tecnologia.

De fato, o conhecimento adquire valor somente quando aplicado. Neste caso, em específico, a tecnologia só traz benefícios a sociedade local quando transferida.

Com o amadurecimento social e a tecnologia mais avançada tornou-se normal ter, por exemplo, redes sociais para auxiliarem o mundo acadêmico. Especialistas afirmam que o uso destas redes mudou, pois observou-se claramente sua importância em atividades como estudos e movimentos sociais. A rede, agora, não é mais o fim, e sim o meio, com um objetivo concreto.

“Trata-se de uma geração totalmente diferente”, afirma Ovidio.

E o leitor pode estar se perguntando o que tudo isso tem a ver com água ou saneamento? Muito, uma vez que qualquer forma de tecnologia bem aplicada pode ser também um avanço em soluções contra o desperdício ou o mau uso dos recursos naturais. Ainda mais quando a técnica utilizada é advinda de ações do cotidiano do mundo acadêmico, como o uso das redes sociais.

“Na universidade, vejo que os alunos estão o tempo todo tirando foto e postando, compartilham tudo, ficam ligados em quem faz checkin no mesmo local, quem curti seus posts ou quem tem o maior número deles compartilhado. Enfim, a tecnologia para esta geração apresenta uma relação bastante estreita, cabe a nós mostrar a estes jovens que este cotidiano pode e deve ser usado o tempo inteiro, de forma inteligente e benéfica”, explica Ovidio.


COMO FUNCIONAM E COMO CONTRIBUEM

Com a abertura do concurso Benchmarking Brasil, o professor viu uma porta para provar que a tecnologia pode ser aliada dos jovens. Com uma equipe formada por 4 alunos considerados maduros e com maior afinidade e compromisso com o tema, Ovidio desenvolveu o aplicativo Level Up+, capaz de detectar vazamento e desperdício hídrico.

“A ideia ocorreu quando me deparei com um vazamento na garagem de meu prédio e que me fez questionar o quanto de água estava indo literalmente para o ralo”, conta ele. “Decidi, à exemplo de meus alunos, compartilhar aquele problema com base nos conceitos do aplicativo social Instagram”.

Atualmente, indo para a segunda versão, o aplicativo Level Up+ já conta com 102 mil seguidores e alguns downloads. A primeira versão foi inspirada nos moldes e conceitos do Instagram. A segunda, cujo lançamento esta previsto para outubro, tem algumas ideias do Uber, que se popularizou em tempo recorde. “A maior empresa de logística do mundo é também aquela que não é dona de nenhum de seus carros”.

Por meio do Level Up+ é possível ver um vazamento, tirar uma foto, publica-la com o checkin, seja na versão aplicativo ou na versão web, e tornar possível que profissionais da Sabesp ou de outras concessionárias consigam localizar aonde está o problema.

Quando se posta uma foto de uma vazamento hídrico, além de determinar a geolocalização (ou seja, latitude e longitude), é possível qualificar a importância deste vazamento entre uma até cinco gotas. Assim, se há um vazamento muito prejudicial, onde a vazão de água é grande, podemos classifica-lo com 5 gotas, possibilitando a criação de um ranking de necessidade de solução rápida.

As fotos postadas são armazenadas numa galeria pessoal, que mantém o status de resolvido ou não. Com isso, qualquer um pode acompanhar quantos e quais dos problemas mencionados foram resolvidos ou não. Existe ainda um espaço para comentários e likes, como em qualquer rede social.

Para Rodrigo Cordeiro, Diretor de PCO da MCI – empresa responsável pela produção do ONE2030 -, “a tecnologia definitivamente tem condições de quebrar paradigmas, inclusive em setores como o hídrico, que durante muito tempo ficou restrito a engenheiros e geólogos e suas linguagens técnicas e polarizadas”.

Perceber que a água começa a invadir a agenda de outros setores, principalmente o acadêmico, é tornar a discussão ampla e benéfica para o planeta como um todo. O desafio consiste em escalonar projetos desta magnitude e fazer com que, cada vez mais concessionárias, façam uso dos mesmos e percebam que, acima de tudo, eles são uma fonte importante de informação.

A fórmula, uma vez mais, passa pela comunicação em massa e pela capacidade de financiamento para que a tecnologia saia dos papers e se torne ferramenta gratuita, com um staff sério para atualizações de suas informações em tempo real, contribuindo para conscientização e resolução dos desafios classificados pela ONU como sendo de extrema urgência na agenda de todos os países até o ano de 2030.