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HOSPITAL DE BARRETOS: MUDANDO A HISTORIA DA ONCOLOGIA HUMANA

Escrito por: EBVB

Hosp. Câncer de Barretos One2030Para falar sobre um dos temas abordados durante a Terceira Jornada – “Saúde da mulher e Bem-Estar de crianças e adolescentes” – é preciso falar abertamente sobre iniciativas, sejam elas públicas ou privadas, que tragam em seu escopo, acima de tudo, informação e formação cultural para que tenhamos êxito no combate à doenças como o câncer ou à violência no transito, por exemplo.

Cléia Girardi, enfermeira e coordenadora da unidade SUS do Hospital de Campinas, trouxe para a segunda rodada de conversas do ONE 2030, o olhar de uma instituição pública que deu certo.

A história do Hospital do Câncer de Barretos tem seu início 55 anos atrás, no Hospital São Judas, na época, a única opção para atender a população de baixa renda que não tinha condições de vir à capital do Estado, onde localizava-se o único centro especializado para tratamento de câncer.

De lá para cá, o Hospital do Câncer de Barretos passou a ser referência no tratamento de câncer e, principalmente, na atuação do diagnóstico precoce da doença, por meio das unidades móveis.  Atualmente, o Hospital do Amor, como é carinhosamente chamado, conta com 3 unidades de tratamento, 4 de prevenção fixas e 17 unidades móveis.

“Falar de Unidade Móvel é falar de Prevenção e para falar de Prevenção é preciso falar das Unidades Móveis”, brinca Cléia. Ao mesmo tempo reconhece que o sucesso do trabalho deve-se às doações provenientes de artistas, de fazendeiros da região e até dos próprios pacientes que aí se tratam.

Apesar de atender e depender 100% do SUS, as doações equivalem a cerca de 40% do total necessário para o custeio mensal do Hospital. Além de artistas, a maior parte do dinheiro, o equivalente a aproximadamente R$ 24 milhões, vem de leilões de gado e cavalo, os mais comuns na região, mas também de orquídeas, galinhas, porcos etc. Os 60% restantes são provenientes do Governo Federal.

A importância real deste projeto móvel, que atende o país como um todo, está na capacidade de salvar vidas, mesmo que nos locais mais remotos do país, já que a chance de cura por conta do diagnóstico precoce chega a 95%. Desta forma, o aspecto da prevenção vem ao encontro do Projeto das Unidades Móveis, uma vez que um dos maiores gargalos da saúde pública está no diagnóstico.

“Quando pensamos em SUS e no acesso a um exame, nos deparamos com dois grandes problemas: o da demora e o da desistência, como consequência do primeiro. Isto afasta o diagnóstico precoce”.

Atualmente, as Unidades Móveis estão presentes, ou chegam, a 7 Estados do Brasil e são divididas em duas categorias:

  • UM de Rastreamento Organizado – os exames são realizados na população que vive na região do noroeste paulista, ou no entorno das unidades fixas.
  • UM de Rastreamento Oportunístico – estão, em sua maioria, no Norte e Nordeste do país, em regiões distantes, como o Xingu por exemplo, onde o acesso a exames e procedimentos é completamente inexistente. Aí, as unidades móveis funcionam também como uma ponte para o tratamento, uma vez que estão aptas para a realização de pequenas cirurgias, como as de pele. Nestes locais, há uma espécie de acordo com os municípios, que se encarrega de realizar exames de diagnóstico em massa, tornando possível o tratamentos necessários.

O projeto de expansão de prevenção ao câncer tem sido o maior dentro do Hospital de Barretos, nos últimos cinco anos. Quando se une atendimento humanizado à alta tecnologia, proporciona-se ao ser humano, independente da classe social, o que há de melhor. Porque vencer o câncer é mais fácil quando se está cercado de amor.