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FAVELADO: O ESPÍRITO NATO DO EMPREENDEDORISMO

Escrito por: EBVB

Fa.vela one2030O FA.VELA é uma ONG de Belo Horizonte/MG, que trabalha com educação empreendedora, democratizando o acesso a tecnologia e informações que apoiem quem quer empreender e modelar empreendimentos que sejam, de fato, sustentáveis em todos os seus aspectos, financeiro e ambiental, a médio e longo prazo.

No Brasil, o número de pessoas em condições de vulnerabilidade ambiental, ou seja, favelados, chega a 12 milhões, quase que a população inteira de Cuba sem acesso a informações de como empreender, informações muitas vezes restritas a universos privilegiados.

Destes 12 milhões, 40% quer abrir o próprio negócio nos próximos 3 anos e 63% deseja prosperar na favela onde vive. Números tão expressivos quanto estes tem uma única explicação: o favelado nasce com espirito empreendedor… para sobreviver!

Segundo Tatiana Silva, co-fundadora do FA.VELA e dona de uma doçura mineira inconfundível que nem parece ser capaz de conviver com um cotidiano tão dramático, 82% das favelas de Minas Gerais estão localizadas no eixo metropolitano, somando 215 favelas, com 415 mil habitantes, o que equivale a 20% da população da cidade de BH. “Que universo é esse?” questiona Tatiana, do alto do palco da rodada que abordou o tema Água, durante a Segunda Jornada do ONE2030.

Certamente, é um universo bem diferente dos espaços onde são tomadas as decisões sobre gestão hídrica, sobre políticas públicas, iniciativas e pesquisas científicas e tecnológicas, formado por pessoas que, normalmente não têm a mesma sensibilização para modelar um negócio que possa ter impacto direto em moradores de favela, principalmente no que tange temas hídricos.

Desde 2014, o FA.VELA já conta com 4 programas de aceleração diferentes e mais de 20 parceiros, o que representa mais de 80 beneficiados e 95 empreendedores, sendo 63 mulheres, com 87 negócios e mais de 200 voluntários.

“Levamos conteúdo sobre comunicação, marketing, gestão, educação financeira entre outros temas, com uma linguagem adaptada para o universo em que atuamos”, revela Tatiana.

Conceitos como pegada hídrica ou água virtual conscientizam a todos sobre impacto hídrico, seja na produção têxtil ou numa lavagem ecológica à base de cera de carnaúba, cuja economia de água pode variar entre 200 a 300 litros.

“Com isso, os moradores das favelas aprendem a usar o discurso de impacto ambiental no marketing de cada um, aumentando suas rendas e ao mesmo tempo conscientizando toda uma cidade”, conclui.

E quando o tema é água, os desafios parecem ter o tamanho do oceano. Dados globais contabilizam 2 bilhões de habitantes sem abastecimento de água tratada e 4,5 bilhões, sem saneamento. “A nossa ficha precisa cair. A bolha cotidiana em que vivemos nos impede de olharmos para nossos próprios privilégios”.